Perspectivas
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
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A dor apodera-se de mim. Rasga-me o peito, rasga-me a alma. A altura de reacção é angustiante, saber que o tempo correu contra mim, em contra-mão, e atinge-me em todos os pontos do meu corpo, especialmente nos mais fracos e indefesos. A alma caiu-me ao chão, sem que as minhas mãos chegassem no minuto exacto em que no canto do olho, vejo o reflexo da tua partida. Os meus joelhos fraquejam, sinto todo o peso do meu corpo a afundar-se lentamente na realidade, ao mesmo tempo que permaneco parada, perplexa. Sinto que transpiro derrota, que todo o mundo parou para me ver falhar, para com olhos acusadores me deitarem a baixo, como se por instantes me tivesse tornado numa leve folha branca e frágil. Agora, todos os mais pequenos pedacinhos que fazem parte do que sou, explodiram como se me tivessem posto uma bomba no coração, e perdesse cada nova estrada aberta em tempos. Restam as recordações que me tentam lembrar do que fui, e a esperança que um dia, tudo possa voltar para os meus braços. Porque ainda hoje eles continuam abertos.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
No início, as mais pequenas coisas do dia-a-dia eram como agulhas que se espetavam no peito. Bastava o telefone tocar e uma certa parte de mim desejar que ainda fosses tu, mas com o tempo apercebi-me que tal já era impossível. Doía arduamente passar em certos sítios. Sítios que costumavam ser nossos e agora se limitam a ser apenas sítios. Depois as agulhas continuavam lá espetadas ao deparar-me com todas essas recordações mas estas já pareciam instaladas no meu coração e já lidava melhor com a dor. Agora, a dor nunca desapareceu, mas tenho um grande controle sobre ela. Evito certos sítios, certos hábitos. Evito o que em tempos me fazia feliz. Mas isto tudo deve-se a um espaço vazio deixado no tempo que me tornou numa pessoa diferente. Agora a ferida continua cá e apercebo-me que nunca irá passar, mas agarro-me ao que tenho. Apesar de não fazeres parte disso!
Sinto-me tão indefesa. Tão frágil. Tão dispensável. Parece que o sangue que corre dentro de mim perdeu a vida, e agora, em vez de vermelho vivo, encontra-se escuro, neutro, parado. Sem sabor e sem cor. Sem interesse. Encontra-se livre de tudo. Livre de algo que o possa ter dado esperanças de alegria, de motivos para continuar, de alguma força gravítica que o possa ter prendido à Terra. Estou solta! Solta e sozinha. A vaguear pelo mundo e a descobrir o que é que ele me pode garantir realmente. Felicidade parece algo já tão distante. E, sinceramente, que não tem dado muitos sinais de vida. E então? Sigo o meu caminho independentemente dos obstáculos que possa encontrar. A estrada já está delineada e só tenho que seguir. Seguir sem voltar a olhar para trás. Não o posso continuar a fazer pois só me desconcentra, deita a baixo, distrai. Acredito que consigo ser mais forte. Apenas por mim. Sem ter que me aguentar por mais alguém. Por mais que esta dor no peito exista e persista, é algo com que já me habituei a viver, faz parte de mim. Isso não me impede de voltar a tentar. Pois uma coisa que aprendi é que por mais que o coração pareça desgastado, degradado, totalmente sem sentido, ele é infinito! Há um espacinho para ser feliz, nem que seja pequeno e este se alimente de pequenas coisas, mas há-de existir.
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